| Década de 60 |
| A essa altura formou-se a segunda geração do surf, com nomes como os de Persegue, Rafael Gonzales (rato), o antológico pioneiro Pauletti, Ciro Barriga, Mário Bração, Piuí, Alemão, Andréas, Domeneque, Maurício Galinha, Pudica, Israel, Moysés, Tito Rosemberg, Geraldo, Carlos Eduardo (Pará), Marcelinho, Canário, Marcelo Caneca, Estrela, Adolfo Gentil, Russell Coffin, Penho, Maraca, Wanderbill, Fábio Keer, Paulinho Bianco, Zé Mudo, Mário Papinha, Betinho Lustosa (disparado o melhor surfista da época), Carlos Mudinho, Paulo e Mário Rebecchi, Alley do posto 5 e muitos outros. Ao som dos Beatles, Beach Boys, Elvis e Chuck Berry, rolaram os primeiros campeonatos no Arpex. Persegue, Mudinho, Betinho Lustosa, Paulo Rebecchi, Marcelinho e Rafael Rato eram os grandes campeões. As meninas também participavam e as campeãs eram as pioneiras Fernanda e Maria Helena Guerra, Soledad e outras. Com a empolgação dos campeonatos já se falava em organização e oficialização do esporte, com a fundação de uma federação carioca, sob a iniciativa de Illen Keer. Infelizmente o projeto estacionou com a morte de seu criador. O surf, contudo, teve seu primeiro reconhecimento oficial pelas autoridades com a doação de uma área exclusiva para a prática no Arpoador, concedida pelo então governador Negrão de Lima, anistiando a proibição imposta pela polícia, que freqüentemente apreendia nossas pranchas. Surfar era proibido. Existem muitas histórias sobre perseguições, remadas heróicas para o alto-mar e fugas espetaculares das polícias militar e do exército. Com o grito de guerra ôia para avisar a posse da onda, iniciou-se todo um movimento revolucionário de costume e comportamento no Arpoador. Longe da decadência atual, rolavam festas de arromba no Rio durante seu apogeu econômico. O estilo de vestir, dançar, criar novas gírias e questionar os valores eram ditados pelos surfistas. A turma mais avançada e descontraída era a do Arpoador. Já havia muitas pranchas importadas, marcas clássicas como a Hobie, Gordon & Smith, Malibu, Bing, Surfboards Hawaii, Com, etc. Ao contrário do que se pensa, os madeirites já tinham um outline razoável. Fazíamos manobras ousadas como viradas, cutbacks, batidas, hang-fives, hang-tens e stretches. As meninas não resistiam aos ombros largos, cabelos longos, carros conversíveis e jeeps coloridos e cheios de pranchões tocando Beach Boys no rádio, bem ao estilo da Califórnia anos 60. O surf era moda. |